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O grande êxtase de Robert Carmichael / Suicide Circle

Maio 7, 2008 · Deixe um comentário

Durante o ano passado vi dois filmes que me surpreenderam e que vos recomendo se não forem facilmente impressionáveis.
O grande êxtase de Robert Carmichael  é um filme seco, propositadamente lento, onde o silêncio é o narrador (a parte da violação é o exemplo perfeito) e culmina de uma forma tão brutal que é impossivel ficar insensível e perguntar de onde vem toda aquela violência, encontramos o mesmo tipo de violência em filmes como o Funny Games , Irreversível ou o Laranja Mecânica.
A acção decorre numa pequena vila piscatória no Reino Unido, onde o cenário árido nos dá uma ideia de infinitude, a decadência das casas, tudo naquele local está em ruínas. Familías disfuncionais, frágeis mas que tentam manter uma aparência de normalidade que a meu ver não é de todo atingida. Os 3 personagens que acompanhamos mais de perto entram numa espiral de entediamento e drogas que a certa altura tudo deixa de importar e é aqui o filme se torna amoral, o climax final onde a tensão/pressão imposta durante todo o filme rebenta e temos aquele final dramático. 7,5/10 O grande êxtase de Robert Carmichael

Suicide Circle
Se gostam de um bom filme de terror com algum gore pelo meio, vejam este filme que nos remete para uma visão terrífica, provocadora e de crítica ao Japão actual e principalmente à juventude japonesa que quando nasceu já trazia um comando de consola ou um rato de pc nas mãos.

Crítica à cultura pop, aos media japoneses pela hyper valorização da imagem, pela apresentação de modelos de conduta e valores geracionais, aqui representada por uma banda pop de pitos e pitas chamada d zrt!!, que envia subliminarmente mensagens suicidas aos jovens japoneses incautos que não questionam o mundo que o rodeia, o realizador questiona a surperficialidade dessa juventude e leva ao extremo essa crítica ao apresentar uma banda de glam que se chama suicide club que pratica crimes no intuito de ficar conhecida.

O filme deixa algumas questões em aberto tal como a competitiva sociedade japonesa que tende à uniformização de comportamentos que anulem a identidade individual, o realizador apresenta-nos a sua visão através da analogia do suicídio encarado como mais um factor de uniformização e até como reforço dos laços afectivos entre os personagens em vez de um acto de escolha individual.

O filme inicia com 54 quatro raparigas de mãos dadas saltarem em conjunto para a linha do metro de Tóquio aquando da passangem deste….sim muito sangue preenche o TFT e muitos membros decepados…O filme é povoado de fortes imagens que radicalizam a mensagem de crítica social do autor podendo-a desvalorizar. 7/10 Suicide Circle

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