Vou-te contar uma coisa

Leya compra concorrência

Maio 13, 2008 · Deixe um Comentário

O Público online acaba de anunciar que a Leya irá comprar até ao final do mês de Junho (existe já um contrato promessa de compra-venda) as editoras pertencentes ao grupo Explorer Investments, isto é, o grupo Leya irá passar a controlar as seguintes editoras; Oficina do Livro, a Casa das Letras, Editorial Teorema, a Estrela Polar, a Sebenta, para além da Dom Quixote, da Caminho, das Edições ASA, da Texto Edições, da Gailivro e da Nova Gaia.

A Leya com esta operação passará a ter uma posição dominante no mercado português, o seu catálogo contará com vários nomes importantes das letras portuguesas, quer em termos de prestigio como de vendas. Ficarão na mesma “casa” Saramago, Lobo Antunes, Cardoso Pires, Gonçalo M. Tavares, Francisco José Viegas, Miguel Torga, Miguel Sousa Tavares. Margarida Rebelo Pinto, Mário Zambujal, Pedro Paixão, Rosa Lobato Faria, Alice Vieira. O conjunto das editoras fará deste grupo um peso pesado em áreas sensíveis dos vários segmentos livreiros, seja literatura, auto-conhecimento, infantil ou material didáctico, penso que este negócio merece reflexão por parte da alta autoridade da concorrência. O mercado fica cada vez mais exíguo; A Leya fica em condições de ditar as regras neste mercado, como irão reagir as cadeias de livrarias, ou as tradicionais, estas já têm pouco poder negocial perante as editoras.

Durante a semana passada, o mesmo jornal dedicava um artigo sobre a veracidade dos tops nas livrarias, a conclusão era a de que os tops não eram pagos mas o que as editoras fazem é descontos superiores ao normal(30%) para as livrarias que comprarem determinado livro ou as próprias editoras compram montras e espaços nobres interiores das lojas para exposição, ora isto são métodos de markting agressivos que se acabam por reflectir no top.

Que papel é reservado para as pequenas editoras? Qual o espaço para a Cotovia, Relógio d’água, Assírio e Alvim, quasi ou Cavalo de Ferro. O facto de terem um catálogo de óptima qualidade e trabalharem com nichos de mercado as salvará a longo prazo. A falta de visibilidade nas livrarias de livros destas editoras ditará o fim ? Espero que não.

PS: aqui o comunicado da Leya via o blog da Booktailors

Categorias: Cultura e Língua
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