Vou-te contar uma coisa

Kindle

Maio 9, 2008 · 1 Comentário

O Kindle é um leitor de e-books, ou seja, um primo do ipod para livros, armazena na biblioteca virtual centenas de livros, edições online de revistas e jornais que podemos comprar na net, o Kindle é um objecto de grande mobilidade devido ao seu tamanho e peso. Poderá ser vantajoso para estudantes ou pessoas que façam investigação e que não só tenham de estar actualizados do que existe sobre o objecto que estudam como esta é uma ferramenta útil para escalar, gerir e definir prioridades de trabalho.

Será que isto tudo me seduz? Não, nem pensei durante muitos segundos, não concebo ler um livro que não em formato papel, chamem-me romântico, o valor sentimental que um livro representa para nós, qual é a história do livro na nossa vida, com quem o partilhámos, que momentos de gozo profundo tivemos em lê-lo por vezes quase a cair para o lado cheio de sono, quantas vezes levámos com o livro em cheio na cara a lembrar-nos para não o abandonar.Quando pego num livro gosto de o manusear, o cheiro das páginas será a novo ou a velho que brotam, o papel será áspero ou sedoso, a capa é uma obra d’arte, simples mas bonita ou um atentado ao livro e ao seu autor? E o corte das páginas, adoro um livro em que as folhas parecem ter sido cortadas com a faca de esventrar o bacalhau.

E as livrarias irão resistir? Sem dúvida nem que daqui a cinquenta anos, o livro de transforme em objecto retro, um nicho de mercado e só se venda em locais especializados, neste momento assistimos a um revivalismo do vynil e temos até edições simultâneas em cd/vynil nas novas bandas.

E o Kindle? A experiência da leitura ficaria reduzida um play, stop, next, rewind, demasiado frio, demasiado programado, a um franzir das pálpebras, a um retocar contínuo da posição dos óculos. Há poucos meses descarreguei “gratuítamente” um livro que necessitava para o mestrado, em 30 segundos, fiquei dono de um exemplar de 200 páginas, após ter lido cerca de 15 páginas exclamei – Isto é um suplício!, no dia seguinte encomendei à editora um livro de verdade.

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1 response até agora ↓

  • azert // Maio 13, 2008 às 3:16 pm

    E depois há outra questão: como encher as prateleiras das estantes? Um antigo livreiro contou-me há tempos que havia um distinto senhor que comprava livros a metro, precisamente para esse fim! :P

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